EP1: Como Surgiu a devoção ao Sagrado Coração
As Origens da Devoção ao Sagrado Coração: Da Lança de Longinos à Festa Litúrgica
Nesta etapa inicial de nosso itinerário espiritual, somos convidados a compreender as raízes históricas e bíblicas da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Embora a celebração litúrgica oficial tenha sido estabelecida pela Igreja apenas no século XVII, compreendemos que o olhar amoroso para o Coração de Cristo é uma constante na Tradição desde os tempos apostólicos.
Trata-se de uma devoção essencialmente cristológica que, ao focar na Pessoa de Cristo, nos revela o mistério do Amor da Santíssima Trindade pela humanidade.
O Fundamento Bíblico e os Santos Padres
Nossa meditação começa aos pés da Cruz, onde o Evangelho de João (19, 31-34) descreve o momento em que um soldado abriu o lado de Jesus com uma lança, fazendo brotar sangue e água . A tradição patrística, representada por santos como Santo Agostinho, interpreta este lado aberto como o nascimento da Igreja e de seus sacramentos fundamentais: o Batismo e a Eucaristia. Aprendemos que o lado aberto do Senhor não é apenas um evento histórico, mas um "lugar de refúgio" espiritual onde devemos depositar nossa segurança e confiança.
O Testemunho da Mística Medieval
Ao longo dos séculos, o Espírito Santo suscitou almas eleitas para aprofundar este mistério. Destacamos as figuras de Santa Gertrudes e Santa Matilde, no século XI, cujas experiências místicas revelaram a profundidade das batidas do Coração de Cristo. Recordamos o famoso relato de Santa Gertrudes na festa de São João Evangelista, onde ela, ao reclinar-se sobre o peito do Senhor, compreendeu que o pleno conhecimento desta devoção estava reservado para os "últimos tempos", como um remédio para a frieza do mundo.
Paray-le-Monial e a Instituição da Festa
A consolidação definitiva desta espiritualidade ocorre com Santa Margarida Maria Alacoque, no século XVII. Por meio dela, Jesus revelou tesouros de caridade que Sua vontade humana não podia mais conter. A revelação central de Paray-le-Monial resume o motivo de nossa devoção: "Eis aqui este coração que tanto tem amado os homens...".
Compreendemos que o pedido do Senhor pela instituição de uma festa oficial foi um apelo para que Sua caridade fosse conhecida, amada e reparada. Este desejo concretizou-se plenamente em 1856 com o Papa Pio IX, que estendeu a solenidade a toda a Igreja Latina. Hoje, celebramos esta festa móvel sempre na segunda sexta-feira após o domingo de Pentecostes, reafirmando nosso compromisso de vivermos próximos a este Coração que Se esgotou por nós.

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