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III Domingo do Advento (14/12/25)

  • Foto do escritor: Pe. Luís Fernando Cardoso Viana
    Pe. Luís Fernando Cardoso Viana
  • 25 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Is 35,1-6a.10

Sl 145(146),7.8-9a.9bc-lO (R. cf. Is 35,4)

Tg 5,7-10

Mt 11,2-11



"És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?" 


Queridos irmãos, com esta pergunta dos discípulos de João Batista a Jesus chegamos ao terceiro domingo do advento. Este domingo é também chamado de Domingo Gaudete, Domingo da alegria. A possibilidade de usar a cor rosa na liturgia é especial e cheia de sentido. A Igreja deseja nos dizer que aquele a quem esperamos se aproxima, a cor roxa vai se misturando ao branco, dando assim um tom mais claro e luminoso. Sim, o advento é tempo de espera, e eis que a hora se aproxima. 


Na primeira leitura de Isaías, o profeta que tem nos acompanhado neste tempo, há uma mensagem profundamente marcada pela esperança e pela alegria de uma transformação real, uma terra deserta e abandonada renasce pela majestade de Deus. Permitam-me reler mais uma vez essas palavras. 


“Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus. Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: "Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar". Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos. Os que o Senhor salvou, voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto.”


Como não exultar de alegria com essas palavras! Elas são dirigidas a nós. Esta era a situação na qual o homem ficou depois do pecado. Por ele a morte entrou no mundo, e com a morte a corrupção, as trevas e a condenação. Mas eis que Ele vem, e podemos escutar o profeta a clamar: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável!” É uma alegria de expectação, de esperança de algo que está por acontecer. Nós veremos a gloria do Senhor, nós somos convidados a participar com Ele da sua alegria. Ele veio para nos levantar, por isso Ele nos diz: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados.” Quantos de nós estamos assim? Prostrados a causa de nossos pecados, carregando fardos pesados de nossas próprias escolhas, sobrecarregados pelos apegos e vícios que ainda nos separam de Deus? Quantas pessoas sofrendo pela depressão, falta de sentido e alegria. De onde provém tudo isso? Por um lado, podemos dizer que é o resultado da ausência de Deus. Sem Ele nada encontra sentido. 


Mas o que dizer daqueles que sofrem de uma tristeza, ainda quando encontraram a Deus em suas vidas? Quantas pessoas profundamente cristãs lutam hoje em dia para encontrar alegria em suas vidas? Experimentam uma profunda angustia existencial, sem saber de onde ela vem. Para estes também a palavra de Deus se dirige hoje: “Criai animo, não tenhais medo!” Mas há realmente um motivo para criar animo? E por que não devemos ter medo? Continua o profeta e nos faz o convite para levantar os olhos e ver: “Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus” Essa é exatamente a experiencia de alguém que está no limite do seu sofrimento, da experiencia da sua fraqueza e inconstância, prostrado e cansado. Mas eis que Ele surge, é possível vê-lo, e Ele vem para nos salvar.” 


E qual é o resultado da sua vinda? “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos.” Quando Ele vem, transforma tudo. Os cegos enxergam, os surdos ouvem, os coxos andam e os mudos falam. Aqui é preciso fazer uma interpretação espiritual, já que talvez nós que estamos aqui enxergamos, falamos, ouvimos e andamos. Mas e nossa vida espiritual? Existe uma realidade espiritual que precisa ser aberta para nós. Estamos enxergando a ação de Deus em nossa vida? Estamos escutando sua voz? Estamos falando Dele? Estamos caminhando em direção a Ele? Ele vem ao nosso encontro. E mais do que isso, Ele vem para nos salvar e nos levar para sua casa. O que acontecerá lá: “Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto.” 


Meus irmãos, há um lugar reservado para nós! É o Reino dos Céus! Este Reino que começou com a pregação de Jesus e que ainda está sendo construído através de nós. Por isso também São Tiago nos convida na segunda leitura a vigiar: “Também vós, ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.” De fato a vinda do Senhor está próxima. Nós não sabemos o dia nem a hora, mas cada minuto que passa nos aproximamos mais. E quanto mais o tempo passa, mais nosso coração deveria se alegrar. Essa expectativa é marcada no evangelho pela pergunta dos discípulos de João Batista a Jesus: "És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?" E qual é a resposta de Jesus?: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” Jesus responda a pergunta sobre a sua identidade com a sua vida! Jesus encarna a profecia de Isaias. Ele não responde diretamente a pergunta, mas aponta para os sinais. É preciso reconhecer os sinais para reconhecer a vinda de Jesus. Mas Ele já veio, mas eis que Ele continua vindo. Como? Todos os dias na Eucaristia, na Palavra, nos pobres, nos irmãos e sobre tudo em nossos corações. Agora a pergunta que nos fica é: estamos reconhecendo seus sinais?  



Por fim, peçamos a Deus a graça de viver bem este tempo de espera, com alegria e esperança, levantando nossas cabeças, pois Ele vem e não tardará. Dizia Santo Agostinho que “aquele que ama a vinda do Senhor vive na alegria da esperança.” Amemos a vinda do Senhor e nos alegremos com Ele. 


 
 
 

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