Vigília Pascal - Ano C
- Pe. Luís Fernando Cardoso Viana
- 25 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Queridos irmãos e irmãs, as oito leituras e os oito salmos que escutamos nesta noite resumem de modo magnifico a história da salvação. Podemos acompanhar os passos da revelação divina, desde a criação do mundo, a predileção de Deus na criação do homem, sua queda pelo pecado e suas consequências, a escravidão no Egito, sua libertação e a promessa de possuir a terra prometida. Essa história de salvação está marcada pela aliança e fidelidade de Deus e a infidelidade do homem. Tudo isto era uma prefiguração daquele que viria, daquele que era, que é e que será, alfa e ômega, princípio e fim. Assim, na plenitude dos tempos, Deus envia seu Filho para resgatar e restaurar todas as coisas.
Este é o grande mistério que celebramos nesta noite. O homem, pelo pecado original, estava na escuridão, mas eis que de repente, uma luz brilha em meio as trevas. Eis a luz de Cristo! Foi o que escutamos no início desta santa Vigília. Nosso coração deve exultar de alegria, pois a luz venceu as trevas, a vida venceu a morte. No pregão pascal, entoado solenemente, escutamos: “…e Vós que estais aqui, irmãos queridos, em torno desta chama reluzente, erguei os corações”. Quero mais uma vez repetir este convite: Ergamos o nosso coração! Ergamos o nosso olhar! Contemplemos essa luz! Só ela pode dissipar nossas trevas. Ela é a luz que conduz nossos passos. Esta é a noite das noites, noite feliz, noite bendita, noite da verdadeira alegria, noite em que a coluna luminosa as trevas do pecado dissipou, em que Cristo ressurgiu, e quis fazer nascer a Santa Igreja para congregar um povo eleito, um povo santo. Não há evento mais importante do que este. Desde aquela noite até hoje, os cristãos se reúnem em torno do altar para celebrar este acontecimento. E mais ainda, toda a vida da Igreja gira em torno desta noite. Diante de tão grande mistério, podemos exclamar junto com a liturgia da Igreja: “Ó pecado de Adão indispensável, pois o Cristo o dissolve em seu amor; oh culpa tão feliz que há merecido a graça de um tão grande Redentor!” Sim meus irmãos, bendito o pecado de Adão, que ao ser redimido pelo salvador, nos permitiu entrar no Céu. Depois de sua morte, Cristo desce a mansão dos mortos, para resgatar aqueles que foram justos, e que aguardavam a sua ressurreição. No ofício das leituras, que rezamos hoje pela manhã, encontramos um belíssimo texto de uma antiga homilia do sábado santo que relata este momento. Gostaria de trazer alguns trechos para nossa meditação nesta noite.
“O Senhor foi onde eles estavam, levando em suas mãos a cruz vitoriosa. Quando Adão o viu exclamou para todos os demais: O meu Senhor, está no meio de nós! E Cristo tomando Adão pela mão, disse-lhe: Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos...
Eu sou o teu Deus, e por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora aos que estavam na prisão da morte: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’
Eu ordeno: Acorda, ó tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.
Levanta-te, vamo-nos daqui. O inimigo te expulsou do Paraíso; eu, porém, agora te coloco num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem, e ordeno que eles te cuidem como Deus, embora não o sejas.
Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o Reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade.”
Como não exultar, meus irmãos, ao escutar o que o Senhor tem preparado para nós. De fato, ele abriu as portas do paraíso. No livro do Apocalipse está escrito: “Então, vi, na mão direita daquele que está assentado no trono, um livro em forma de rolo, escrito por dentro e por fora e selado com sete selos. Vi um anjo poderoso, proclamando em alta voz: Quem é digno de romper os selos e abrir o livro? Contudo, ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra era capaz de abrir o livro, nem olhar para ele. Eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro nem de olhar para ele. Então, um dos anciãos me disse: Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.” Ap 5, 1-5
Sim meus irmãos, já não há motivos para chorar, Ele foi digno de abrir o livro, de abrir as portas do céu. Lá, a Igreja triunfante contempla a face do cordeiro, e intercedem por nós, Igreja militante, que caminhamos para nos unir a eles. Na oração para abençoar o fogo no início desta vigília, escutamos: “Concedei que a festa da Páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz eterna” Esse desejo deve estar marcado em nossos corações. Que possamos desejar o céu! Que nossa vida nesta terra tenha sabor do paraíso, Ele está aberto para nós, o pecado já não pode nos dominar, Nosso Senhor está a nos esperar. Ele não nos criou para que permaneçamos na morte. Diante das nossas tentações, podemos rezar um breve exorcismo, atribuído a Santo Antônio no século XII: “Eis a Cruz do Senhor: fugi, potências inimigas! Venceu o Leão da tribo de Judá”. Sim, diante da cruz do Senhor, todas as potências inimigas fogem, a tentação se vai e o demônio é vencido. Por tanto, caminhemos na luz de Cristo, permaneçamos Nele, para que um dia, possamos celebrar definitivamente o que hoje celebramos sob o véu do sacramento. Eis a nossa meta. Ânimo! Cristo venceu por ti! Ele Ressuscitou! Aleluia! Sim, verdadeiramente ressuscitou!

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