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Quinta Feira Santa - Ano C

  • Foto do escritor: Pe. Luís Fernando Cardoso Viana
    Pe. Luís Fernando Cardoso Viana
  • 25 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Primeira Leitura (Ex 12,1-8.11-14)

Sl 115(116B),12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1Cor 10,16)

Segunda Leitura (1Cor 11,23-26)

Evangelho (Jo 13,1-15)


“Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”Jo 13, 1


Queridos irmãos, hoje celebramos o mistério da instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Grande mistério da nossa fé. Antes de viver sua paixão, Cristo quis deixar o seu corpo e seu sangue como alimento para a humanidade. Conhecendo a fraqueza humana, quis permanecer conosco. Ele não só deu a vida por nós, ele nos amou até o fim. Na noite de hoje, Jesus se reune com seus discípulos para celebrar a Páscoa. Para os judeus, essa festa tinha como objetivo fazer memória da libertação da escravidão no Egito, como lemos na primeira leitura, encontrada no livro do Êxodo. Diante do clamor do povo hebreu, que subia aos céus, Deus suscita a Moisés para salvar o seu povo, e o envia diante do Faraó para pedir que os libertasse do peso da escravidão. Depois de muitas tentativas e do castigo de Deus sobre o Egito, finalmente o povo consegue a liberdade. Já não havia mais escravidão, e depois de passar o mar vermelho milagrosamente aberto, começa o caminho em direção a terra prometida. Esse feito deveria ser comemorado de geração em geração. Todos os anos os judeus faziam memória de quando Deus os libertou da opressão do Egito.


No evangelho de hoje, Jesus está celebrando essa mesma festa judaica, mas ele dará um sentido totalmente novo. A Páscoa a partir daquele momento encontraria seu verdadeiro e mais profundo significado. A libertação da escravidão no Egito era uma prefiguração de uma libertação muito maior. Agora Jesus vai, pelo seu sacrifício na cruz, libertar a humanidade da escravidão do pecado, através do seu sacrifício na cruz. Ele assumirá o lugar do cordeiro e pelo seu sangue nós encontramos a salvação. 



Nesta noite há muitos mistérios para aprofundar. Naquela ceia, Jesus se encontra com seus discípulos e ali, institui a Eucaristia e o sacerdócio. Nada é por acaso. Essas duas realidades estão totalmente unidas. Um não pode existir sem o outro. Sem sacerdócio não há Eucaristia, e sem eucaristia o sacerdócio perde seu sentido. Gostaria de dizer algumas palavras sobre isso. Quero começar falando sobre a Eucaristia. Ao dizer “Tomai todos e comei”, e “tomai todos e bebei”, Jesus realiza sacramentalmente o que aconteceria no dia seguinte na cruz.  Voce já parou para meditar sobre a profundidade disso? Um Deus que alem de morrer por nós, quis permanecer conosco através do sacramento do pão e do vinho. Não é loucura pensar isso? Como é possível? Sim, é loucura, mas é a loucura do amor divino. Ele conhece nossa fraqueza e sabe o quanto somos incapazes de fazer o bem. Então Ele se faz alimento, para que eu e voce pudéssemos perseverar até o fim. Precisamos reconhecer, ainda nos falta muito para retribuir tanto amor. Ainda não estamos estamos plenamente conscientes deste mistério. São Padre Pio dizia que se as pessoas soubessem o valor e a riqueza da Eucaristia, seria necessário colocar guardas nas portas das igrejas para conter a multidão querendo entrar. Mas tristemente olhamos para nossas igrejas e sacrários e percebemos o contrario. Jesus permanece sozinho e abandonado. Ninguém o visita, ninguém fala com ele, e quando o fazem, fazem de qualquer jeito, com frieza, sem devoção e amor. O tratam como se fosse somente um pedaço de pão. Quanta indiferença com o corpo de Cristo! Ele está ali, oculto na aparência do pão. Nossos sentidos falham, mas nossa fé não pode falhar. 



Podemos nos perguntar, o que é o sacerdócio? São João Maria Vianney o definia como o amor do coração de Jesus. Acredito ser essa a melhor definição. No evangelho de hoje escutamos que “Jesus, tendo amado os seus discípulos, amou-os até o fim”, até o extremo, até o sacrifício da cruz. Ele sabia que sua hora havia chegado, mas escolhe deixar um instrumento na terra que pudesse perpetuar o amor do seu coração. Este instrumento se chama sacerdócio. Por isso o sacerdote deve ser a continuação do amor do coração de Jesus. Para isso, deve, mais que ninguém, ser imitador de Cristo. E mais que isso, ele é Persona Christi, que quer dizer que ele age na pessoa de Cristo. Por isso o sacerdote tem a obrigação de ser santo. No dia da ordenação, ele recebe a dignidade sacerdotal, que para a muitos santos, só pode ser comparada com a dignidade dos anjos. Mas essa dignidade é recebida em vaso de barro e talvez esse seja o maior mistério da vida sacerdotal. Homens fracos e pecadores, separados para tão sublime ministério. Por isso também o santo cura de ars dizia que o padre só se compreenderá quando chegar ao céu. E no céu Deus tem preparado um lugar especial para eles. 


Mas agora preciso falar de como o sacerdote deve imitar a Cristo. Ele na cruz ofereceu o seu corpo como vítima como expiação pelo pecado, mas há um grande mistério aqui, pois Ele é a vitima oferecida, mas também é o sacerdote que oferece. Por isso dizemos que Jesus ;e sacerdote e vítima. Como poderia então o sacerdote ordenado querer viver de outro modo? Assim como Jesus, ele precisa oferecer o sacrifício no altar, mas ao mesmo ele oferece a si mesmo. Não existe sacerdócio sem sacrifício. Gosto muito de uma frase que diz que o sacerdote não é um homem, ele é o sacrifício de um homem. Ao celebrar a eucaristia, ele torna presente o único e irrepetível sacrifício de cristo na cruz, não só sobre o altar, mas sobre ele mesmo. Por isso sua vida deve ser sacrificada, não ha outro caminho. Infeliz aquele que busca ser padre para ter status ou poder. Infeliz aquele que almeja o sacerdócio para ser servido e não para servir. O modelo do nosso sacerdócio é Jesus. Ele veio para servir, Ele se abaixa para lavar os pés dos seus discípulos. Ele é simples, pobre, humilde e escolhe o último lugar. 


O sacerdote deve ser também o homem do altar. Quer conhecer um sacerdote? Observe como ele celebra a Santa Missa, como zela pela eucaristia, como vive aquele mistério. Não estou falando aqui do quanto ele fala bem, como prega bem, como anima bem, mas do quanto se percebe que ele de fato acredita no que está celebrando. Do quanto ele se imola no altar. A vida do padre deve ser uma continuidade da sua missa. E como falei no inicio, existe uma profunda ligação entre o sacerdócio e a eucaristia. Aqui me faltam as palavras para explicar este mistério. Percebo isso cada dia mais. Tenho plena consciência de minha indignidade para poder consagrar e tocar o corpo do Senhor, ao invés de diminuir com o tempo, esse sentimento só aumenta. Muitas vezes perguntei a Deus porque ele tinha me escolhido, tendo tantos outros muito mais capazes que eu, mas desde o dia em que celebrei minha primeira missa, tive a certeza: para isto nasci e fazendo isto quero morrer. Alimentar as almas com o corpo de Cristo e perdoar os pecados. Dai-me isso e ficai com resto, como dizia Dom Bosco. 


Mas também é preciso reconhecer que estamos vivendo uma profunda crise sacerdotal em nossa Igreja, não só pela falta de vocações, mas pela falta de consciência da identidade sacerdotal querida e pensada por Deus. É preciso levantar um exército de intercessores, de almas disposta a rezar para que Deus suscite no coração dos sacerdotes o desejo pela santidade, e que fortaleça aqueles que estão neste caminho. Onde há um sacerdote santo, há uma multidão de leigos santos. Pense no tanto de almas que um só sacerdote pode salvar. O demônio sabe muito bem disso e por isso ele ataca, coloca armadilhas no seu caminho e investe tudo contra ele. Rezemos pelos sacerdotes. O mundo precisa deles. 




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