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Quarta-feira Semana Santa - Ano C

  • Foto do escritor: Pe. Luís Fernando Cardoso Viana
    Pe. Luís Fernando Cardoso Viana
  • 25 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Primeira Leitura (Is 50,4-9a)

Sl 68(69),8-10.21bcd-22.31 e 33-34 (R. 14cb)

Evangelho (Mt 26,14-25)



Queridos irmãos, nos aproximamos do maior evento já acontecido na história da humanidade. Somos convidados a reviver mais uma vez o mistério da paixão, morte e ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na primeira leitura de hoje escutamos a profecia do servo sofredor. Ele virá para oferecer a sua vida em expiação pelos pecados.  “O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo.” Is 50, 4 


Ele é o verdadeiro discípulo. Ele é o servo obediente, ele não coloca resistencia, ele vai até o fim. “O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás.” v. 5 Diante da desobediência do homem, que escolheu livremente virar suas costas para Deus, eis o servo que se coloca obediente à palavra do Pai. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas” v. 6 A sua obediência o levará ao sofrimento, mas ele não teme, pois sabe que não está sozinho. “Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. Sim, o Senhor Deus é meu Auxiliador; quem é que me vai condenar?” v. 7-9a Alguém precisava pagar o preço do pecado. Somente ele poderia assumir tal missão, de carregar em suas costas o peso do pecado da humanidade. A profecia de Isaias se cumpre na vida de Jesus. Ele é o modelo do servo sofredor. O messias esperado virá da maneira menos esperada. Ele não vem montado a cavalo, com armas e soldados para conquistar o poder terrenal. Ao contrário, Ele se entrega, permite tudo, em silencio, em obediência e amor ao plano de salvação do Pai.


No evangelho nos encontramos com a cena de Jesus reunido com seus discípulos na última ceia. Imaginemos o coração do Senhor, sabendo que estava prestes a oferecer sua vida como expiação pelos pecados da humanidade, se senta a mesa com seus apóstolos. Ele já sabia o que ia acontecer. Sabia da intenção de Judas em o trair, da futura negação de Pedro e da fuga de todos diante do escândalo da cruz. O que se passaria naquele coração divino? No relato do evangelho de hoje, Judas procura os fariseus para saber o que ganharia entregando Jesus. Depois de acertar o valor Judas “procurava uma oportunidade para entregar Jesus” Mt 26, 16 Paremos por um instante para refletir sobre esta atitude de Judas. Ele, assim como os outros onze apóstolos, havia sido chamado por Jesus para segui-lo, havia estado com ele por três anos, onde presenciou seus discursos, seus milagres, o acompanhou em todo momento. Como um dos doze apóstolos, tinha reservado seu lugar no céu como uma das doze colunas da Igreja nascente. Jesus deu a ele a oportunidade de receber coroa da glória, mas pela malicia do seu coração, foi arrastado para a condenação. Oh Judas! Quanto Jesus te amou! Quanto insistiu na tua salvação! Mas fechaste o teu coração para o convite divino, e pagaste o preço de tuas escolhas!


Meus irmãos, a vida de Judas nos ajuda a entender que nossa salvação não está ligada ao cargo que ocupamos dentro da Igreja. Judas era um dos doze, mas ainda assim foi condenado. Quão perigoso é acreditar que nossa salvação está garantida pela eleição divina sobre nós! Mas continuemos nossa reflexão sobre a última ceia. Os discípulos se aproximam de Jesus e lhe perguntam onde deveriam preparar a festa da Páscoa. Depois de dar as indicações necessárias, “ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos.” Mt 26, 20 Naquela santa ceia, Jesus deixa aos seus suas últimas palavras, e anuncia a traição de um deles. "Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair". Mt 26, 21 Mais uma vez imaginemos essa cena. Ao escutar esse anuncio, os discípulos se entristecem, o que passaria na cabeça deles naquele momento? O que pensaria Judas ao ver seu segredo revelado? É interessante notar a reação deles. “Um por um, começaram a lhe perguntar: ‘Senhor, será que sou eu?” Mt 26, 22 Essa pergunta dirigida a Jesus pelos apóstolos diante do anúncio da traição nos revela uma grande verdade. Nenhum de nós está isento de possível queda. Podemos facilmente trair como Judas, negar como Pedro ou simplesmente fugir como todos os outros. É mais fácil apontar o dedo para os outros e mais difícil apontar o dedo em nossa direção e perguntar: Acaso serei eu Senhor? 


Demasiada confiança sobre si mesmo é ingenuidade. Nunca cogitar a possibilidade de queda é já estar caindo. Chesterton dizia: "Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em manicômios". Quanta verdade existe nessa afirmação. Hoje somos induzidos a pensar que a solução dos nossos problemas está em nós. Basta olhar os livros de auto-ajuda, tão em modo hoje em dia. Eles ensinam: “Voce pode! Voce consegue! Voce é capaz!” Existe um grande perigo nesta ideia. A resposta para os nossos problemas não está em nós, mas em Deus. Eu não sou capaz de me salvar, eu preciso Dele. Nós precisamos dizer com Sao Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece!” Fl 4, 13 Nós podemos tudo? Claro que sim, mas não em nós e pelas nossas forças. Somente nele podemos tudo. Nos últimos séculos essa ideia antropocêntrica só tem causado danos ao próprio homem. Ao tirar Deus do centro, o homem perde o seu equilíbrio, a sua sustentação. Certo filósofo contemporâneo definia o homem atual como alguém atolado em uma areia movediça tentando sai puxando seus próprios cabelos. Claro que esse esforço será inútil. Um exemplo de auto confiança excessiva encontramos Pedro. Momentos antes de paixão dizia que daria sua vida por Jesus, e o que acontece horas depois? Lá estava ele, negando três vezes que o conhecia. Por que? Porque confiava em si mesmo, nas suas capacidades. Em nenhum momento passou pela sua cabeça a ideia de negar o mestre. E exatamente por isso, no momento da tentação sucumbiu. Podemos então aprender essas duas lições. Ao olhar a condenação de Judas, precisamos entender que não é a eleição de Deus em minha vida que me conduz à gloria, mas minha escolha de permanecer com Ele. E olhando para Pedro, entender que essa permanência não é fruto das minhas capacidades humanas, mas uma graça imerecida, que me faz desconfiar de mim mesmo constantemente e voltar meu olhar para Deus, em quem posso confiar, pois Ele não se engana e não engana ninguém. Hoje, as vésperas de celebrar o maior mistério da nossa fé, vale a pena perguntar. Acaso sou eu, Senhor?

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